Notícias

Aparelhamento do ONS e da CCEE é mais um passo rumo ao colapso do setor elétrico brasileiro

Novos nomes foram escolhidos para ocupar as posições de liderança do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) nesta semana, confirmando mais uma vez a interferência do Governo Federal e do Poder Legislativo na governança do setor elétrico.

Apesar do discurso de defesa da meritocracia, essa não tem sido a prática empregada na escolha dos responsáveis pela gestão operacional e comercial do Sistema Elétrico Brasileiro. Candidaturas súbitas, parentes de autoridades, assessores de ministros, nomes nem sempre com a necessária experiência para ocupar os cargos para os quais estão sendo nomeados. Além disso, os vínculos políticos envolvidos nessas indicações comprometem a plena independência e atuação técnica que se espera dessas instituições.

No final de 2023, já havíamos visto as mudanças na estrutura da CCEE e o aumento da participação do governo, tornando-se controlador de uma entidade setorial privada. No ONS, o aparelhamento político também predomina.

A atuação do ONS e da CCEE é essencial para o equilíbrio e bom funcionamento do setor elétrico e, por conseguinte, para o desenvolvimento do país, uma vez que a energia elétrica afeta todos os principais indicadores econômicos e sociais.

No início deste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião com especialistas para buscar caminhos concretos e tempestivos que permitam a redução das tarifas. Menos de duas semanas depois, na direção contrária, testemunhamos a sofreguidão com que membros do próprio governo e Legislativo lotearam a governança do setor.

Essa mesma governança, em sua vigência atual, delega aos agentes de mercado a indicação dos conselheiros da CCEE e de alguns diretores do ONS.

No entanto, o que constatamos é a abdicação por esses agentes de sua competência e responsabilidade nesses processos, para depois, “em off”, responsabilizar o governo federal.

Para nós consumidores, não resta a menor dúvida de que a responsabilidade pela caminhada rumo ao colapso, tantas vezes apregoada pelo ministro Alexandre Silveira, é de todos: dos agentes setoriais e dos Poderes Legislativo e Executivo.

Compartilhe essa publicação

Confira mais notícias

lucien

23/09/2026

Membros da FNCE falam sobre os desafios do próximo governo no setor de energia
Três integrantes da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) foram ouvidos pela Folha de S.Paulo em reportagem sobre os principais desafios que o próximo...
consumidor

22/09/2026

Uma reforma cidadã para o setor elétrico
O setor elétrico brasileiro mudou, mas suas regras continuam presas a um modelo concebido há mais de duas décadas. Se o país insistir nesse caminho,...
itaipu

07/09/2026

Afinal, teremos uma tarifa justa para Itaipu em 2027?
A Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) considera inaceitável a possibilidade de a tarifa de Itaipu ficar próxima a US$ 15 por kW/mês a...
TCU

25/08/2026

FNCE pede transparência ao TCU sobre acordo entre Eneva e MME
A Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) enviou, nesta terça-feira (25) carta ao presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do...
usinas

09/06/2026

FNCE alerta sobre aumento dos encargos de reserva e questiona sobrepreço no LRCAP 2026
Nesta terça-feira (9), a Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE)  enviou cartas ao Ministério de Minas e Energia (MME), Tribunal de Contas da União...
conta de luz

31/05/2026

Consumidor pagará quase R$1 tri a mais na conta de luz por decisões do Governo e Congresso
Levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) demonstra que entre janeiro de 2023 e maio de 2026 os poderes Executivo e Legislativo aprovaram...