A Frente Nacional de Consumidores de Energia (FNCE) lamenta que o importante Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) não tenha tido bons resultados. Ao contrário, ao insistir em beneficiar diversos grupos de geração obrigará os consumidores brasileiros a contratar muito mais do que o necessário fontes de energia mais caras e mais poluentes. A contratação de 19 GW, quase integralmente em térmicas a gás natural e três empreendimentos a carvão, representará custo anual que chegará a R$ 39 bilhões e representará aumento médio nas tarifas estimado em pelo menos 10%, conforme os cálculos da equipe técnica da FNCE.
De acordo com os resultados do LRCAP, a contratação de 2,6 GW ainda em 2026 aumentará gradualmente até o patamar de 19 GW em 2031. O custo total do setor elétrico em 2025 chegou a aproximadamente R$ 395 bilhões. “O volume contratado de 19 GW, praticamente sem nenhuma competição, é absurdo e vai representar um custo muito pesado na conta de luz nos próximos anos. O Governo Federal promete baixar o custo da energia, mas na prática faz o contrário”, afirma o presidente da Frente, Luiz Eduardo Barata.
Apesar do alerta insistente da FNCE e de outros agentes do setor, o Ministério de Minas e Energia (MME) optou por seguir o caminho mais fácil e atender à pressão da cadeia da energia e não às necessidades da sociedade brasileira. Vale destacar que além da receita fixa estipulada no leilão, os consumidores ainda precisarão pagar os custos dos combustíveis quando as usinas forem acionadas. Outro impacto relevante ocorrerá na inflação, além do agravamento do desequilíbrio no setor elétrico e das emissões de gases de efeito estufa.
O custo não para nesses números porque na próxima sexta-feira (20), haverá nova rodada do LRCAP para contratação de térmicas a óleo. “O resultado ruim e preocupante deriva dos critérios adotados pelo MME e da decisão do órgão de privilegiar o segmento das térmicas em lugar de adotar boas práticas como a neutralidade das fontes”, avalia Barata.





